Home » História, Pedras brasileiras

Pedra semipreciosa? Risque esse termo do seu dicionário!

27 janeiro 2010 22 Comentários Por Christian Hallot

Pedras Coloridas

Precioso e semiprecioso são duas palavras conhecidas de nosso vocabulário, sendo que a primeira é verdadeira e a segunda falsa.

Precioso é um adjetivo qualificativo, logo o seu oposto deveria ser não-precioso. A mesma coisa podemos dizer da palavra honesto (e tantos outros adjetivos), não permite a existência de semi-honesto. Hans Stern, o fundador da H.Stern, costumava dizer não existem pedras semipreciosas, assim como não existem mulheres semigrávidas. “Ou é ou não é”, dizia. 

No caso das pedras preciosas, a palavra semipreciosa surgiu no início do século passado, provavelmente oriundo de grandes joalheiros do hemisfério norte que costumavam trabalhar com apenas quatro famosas pedras:  diamante, safira, rubi e esmeralda. Eles pouco conheciam as pedras vindas do Brasil e rapidamente as classificaram de semipreciosas.

O motivo principal talvez fosse pela fragilidade em relação às quatro pedras acima citadas, mas isto também é uma inverdade, uma vez que uma água marinha tem a mesma dureza da esmeralda e ambas fazem parte da família dos berilos.

Precioso, no caso das gemas, é uma soma de atributos muito bem definido e a França foi o primeiro país a reconhecer isto. Desde 14/02/2002 uma lei proíbe o uso da palavra semipreciosa em qualquer documento escrito sobre gemas naturais.

Só um parênteses: A Lei francesa, define o que é pedra preciosa: Toda aquela com grau de dureza maior do que o vidro, ou seja, acima de 6 na escla Mohs (sim, as pedras brasileiras estão acima de 6); Toda aquela que tem aspecto agradável, em ternos de cor, brilho e cintilação. E, por fim, toda aquela que é incomum, mas não tão rara a ponto de ser impossível de se encontrar.

Concluindo, as pedras podem ser mais ou menos valiosas em função do tamanho ou da intensidade de cor.  Ametista, topázio imperial, topázio azul, água marinha e tantas outras são pedras preciosas, algumas podendo valer mais do que diamantes. Portanto, nossas pedras já não sofrem mais com o pejorativo e falso adjetivo semiprecioso. E você pode riscar do seu dicionário essa palavra pra lá de preconceituosa!   >>> Christian Hallot

  • Twitter
  • LinkedIn
  • Facebook
  • FriendFeed
  • MySpace
  • Plaxo Pulse
  • Google Bookmarks
  • Yahoo Buzz
  • Windows Live Favorites
  • Delicious
  • Digg
  • Share/Bookmark

22 Comentários »

  • bella disse:

    Oi, tudo bom?! Gostei desse artigo e gostaria de saber se o Jade também pode ser considerado uma pedra preciosa… Tenho dois anéis com essa gema: um verde piscina, outro verde esmeralda, com lapidação ‘cabochon”. Ambos em prata, lindos… Agora tô atrás de brincos! Um abraço!Obrigada por qualquer informação a respeito!

  • Roberta Rossetto disse:

    Oi Bella,
    Fui procurar em livros sobre pedras (”Gemas do Mundo” de Walter Schumann e “Pedras Preciosas”, de Cally Hall). Descobri que existem dois tipos de jade: jadeíta e nefrita, sendo a segunda a mais comum. As duas são preciosas. Na América Central pré-colombiana o jade era mais apreciado do que o ouro.
    A jadeíta pode ter cor verde, lilás, branco, rosa, marrom, vermelho, azul, preto laranja e amarelo. A mais apreciada é o chamado “jade imperial”, uma jadeíta da antiga Birmânia, de cor verde-esmeralda devido ao cromo.
    Já a nefrita é mais resistente do que a jadeíta. Suas cores variam entre verde-escuro, rica em ferro, e cor creme, rica em magnésio.
    Mas o mais importante de tudo é você gostar das joias que tem!
    bjs
    roberta

  • Juliana Nardelli disse:

    Incrível texto! Conteúdo interessante, afirmações super justificadas, tudo muito transparente e claro. Como é bom aprender!!! Isso é que é luxo!

  • Elaine disse:

    De fato todas as pedras são preciosas, mas as pedras brasileiras, em geral, não são tão raras e valorizadas como o diamante, a esmeralda ou a safira ( com exceção de algumas como a turmalina paraíba e o topázio imperial). Portanto, para quem compra jóias com o intuito de fazer um investimento, isso deve ser levado em consideração.

  • carla disse:

    Eu vendo semi-joia, peças com banho de ouro ou ródio. Então, falo para minhas clientes que vendo joia ou biju. Agora estou em dúvida!!!!
    Me responda, bjos!

  • Christian Hallot (autor) disse:

    Da mesma forma como o prefixo semi foi usado para as pedras para “depreciá-las”, o mesmo prefixo semi é usado para as bijuterias para “apreciá-las”. As palavras semi-precioso e semi-jóias não existem e podem levar a erros de interpretação. As joias são feitas de pedras verdadeiras, montadas sobre metais preciosos. A “semi-jóia” é feita, na sua grande maioria, de pedras sintéticas e metal “banhado” a ouro ou ródio. Se você trabalha com pedras verdadeiras e ouro, deve usar o termo joias. Se você trabalha pedra sintética e metal banhado, melhor é usar o termo bijuteria.
    Um abraço
    Christian

  • sabrina k disse:

    ADOREI ESSE POST, REALMENTE EXISTE MESMO ESSE ERRO NO MERCADO DE JÓIAS, E ISSO CONFUNDE MUITO OS LEIGOS, NO ASSUNTO! Jóia é jóia, metal nobre (ouro, prata), com pedras preciosas. Segundo o livro ¨gemas do mundo¨, o melhor termo a ser usado para todas é GEMA.

  • Cristiane disse:

    Adorei este artigo. Vejo que há no Brasil uma infinidade de possibilidades de gemas que podem ser exploradas no mercado de joias. Todavia, é visível a baixa valorização, embora apresentem beleza e qualidade. Por outro lado, há empresas como a H.Stern que lançam belíssimas coleções utilizando as pedras preciosas encontradas aqui. Admiro tal iniciativa, pois além de valorizar as gemas nacionais, diversifica o mercado. Acho supercharmosas as pedras preciosas nacionais, com um bom design de metal nobre (ouro), não há como resitir.

  • MARIA DO CARMO GOMES disse:

    OLA!!!
    GOSTARIA DE SABER COMO DISTINGUIR UMA PEDRA BRASILEIRA FALSA DE UMA VERDADEIRA, PORQUE NA TV EXISTEM PROGRAMAS QUE VENDEM JÓIAS, ALGUNS DIZEM AMETISTA, CITRINO, ETC.., MAS OUVI DIZER QUE MUITAS DESTAS PEDRAS SÃO FALSAS OU SEJA SÃO MEROS CRISTAIS DE ROCHA TINGIDOS EM LABORÁTORIO, INCLUSIVE JÁ COMPREI UM ANEL DE CITRINO WHISKY ESTOU DESCONFIADA SE É AUTÊNTICO.
    ESPERO QUE ALGUEM ME DE UMA RESPOSTA.
    OBRIGADO

  • Roberta Rossetto disse:

    Oi Maria do Carmo, tudo bem? Olha, hoje em dia, o único jeito de ter certeza se a pedra é verdadeira ou falsa é fazendo uma avaliação em laboratório gemológico. Para diamantes, há uns aparelhinhos que identificam só de encostar na pedra (nas lojas H.Stern têm). As pedras verdadeiras geralmente têm imperfeições, veios internos, que dá pra ver no microscópio. A olho nu é mais difícil, mas às vezes dá pra ver, tá?

  • zelia disse:

    procuro por uma pedra ou seja um conjunto de minerais com nome de serpentina ou silicato

  • Roberta Rossetto disse:

    Oi Zelia! Olha, procurei em livros:

    Serpentina ocorre em todos os tons de verde. É usada como pedra ornamental.Pode ser confundida com o jade. As que levam o nome Bowenita (verde-azulada, translúcida) e Williamsita (verde-oleosa, translúcida) são usadas em joalheria, principalmente em camafeus. Nenhuma das duas é encontrada no Brasil.

    Silicato é uma classe de minerais e inclui a serpentina. Leia mais aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Silicato_(mineralogia)

    Espero ter ajudado!

  • Rocha disse:

    Olá, eu moro aqui na China e aqui tem muita pérola. O teste é somente esfregando uma na outra e sentindo umas ranhuras? Gostaria de saber também se tem alguma restrição em passar com joias para o Brasil, ou seja ouro e prata e pérolas compradas aqui na China.

  • Roberta Rossetto disse:

    Oi Rocha! Esfregar significa riscar a pérola, coisa que não vão te deixar fazer. Os colares são montados com um nó entre as pérolas justamente para não riscarem! O jeito é analisar em laboratório ou comprar de um fornecedor confiável. Sobre a entrada no país, melhor você ver com a Receita Federal pois certamente há impostos a serem pagos. Abraços a todos aí na China!

  • Babi disse:

    Adorei o texto: informativo e esclarecedor! Ainda mais que amo pedras brasileiras!

  • LUIZ FIGUEIREDO disse:

    Sempre cismei (e fui contra) do porque batizar o antigo Mirante do Leblon com o nome Mirante Hans Stern. Me perguntava, qual ato de extrema relevância este senhor havia realizado em prol da sociedade brasileira, para justificar tal homenagem? batizando-se com o seu nome, um dos pontos turísticos mais conhecidos e frequentados do Rio de Janeiro. Pois bem, após ter lido este pequeno texto e buscado mais informações, ví que tal honraria foi pequena, diante do reconhecimento mundial que ele trouxe para a incontestável qualidade de nossas gemas naturais. Como um verdadeiro embaixador, ajudou o Brasil a conquistar o merecido respeito e posicionamento no mercado. Por conta disso, rendo-lhe minha sincera homenagem e respeito. Tardia, mas sincera.
    Minhas homenagens também ao autor (ou autora) deste excelente texto.

  • maria do rosario duarte disse:

    Oi, eu gostaria de saber de vocês se a prata com banho de ouro pode ser considerada joia ou bijuteria? Porque na tv, eles vendem caríssimo e dizem que é joia. Me esclareça essa dúvida.

  • AdoroJoias disse:

    Olá, Maria do Carmo. Normalmente, na indústria joalheira mundial, consideram-se joias as peças feitas inteiramente de ouro (com variações de 14K a 22k, sendo que, no Brasil e na maior parte do mundo, a liga oficial é de 18K) ou de prata 925, que é o teor mundialmente utilizado para joias com este metal.
    As joias podem ser com ou sem pedras preciosas. Não entram nesta categoria peças feitas de um metal e banhadas (ou folheadas) com ouro, que seriam, então, consideradas bijuterias. Isto porque, a partir do momento que o banho de ouro é usado para alterar a aparência e enobrecer o metal básico, ele faz com que a peça de prata passe a ser uma bijuteria. Melhor seria se esta joia fosse em prata sem banho.

  • giovani de a. hemerly disse:

    Tenho uma pedra de aproximadamente 2×1cm, arredondada, de cor amarelada e de uma transparência limpa. Algumas pessoas falam que é vidro. O que faço para avaliar? Não estou convencido. Comprei como pedra no interior da Bahia, de uma pessoa leiga no assunto.

  • AdoroJoias disse:

    Giovani, caso você more em São Paulo, sugerimos procurar o Instituto de Gemologia da USP. Lá eles poderão te ajudar a descobrir mais sobre sua pedra!

  • Natalie Rivieri disse:

    Notei que em muitos comentários existe a duvida quanto à veracidade das pedras adquiridas, um dos orgãos que indica laboratórios confiaveis no RJ, SP, MG e BA é o IBGM (Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos), site http://www.ibgm.com.br. Não estou descartando a sugestão da AdoroJoias, sobre o Instituto de Gemologia da USP, mas pensei em indicar o IBGM por ter atendimento em outras cidades e por ser tão confiável quanto o da USP. Sempre acompanho o blog AdoroJoias e sou fã de carteirinha da H.Stern e muito grata ao mestre Hans Stern, por ter valorizado nossas lindas gemas brasileiras. Parabéns AdoroJoias.

  • AdoroJoias disse:

    Muito bem lembrado, Natalie! O IBGM também é um instituto referência no setor e indicado por nós. Obrigada pela mensagem! Abraços…

Deixe seu comentário!

Adicione o seu comentário abaixo, ou link o artigo em seu site. Você também pode acompanhar os comentários subscribe to these comments via RSS.

Para ter uma imagem personalizada em seus comentários clique aqui.