Subir ou descer do salto?
Dias desses uma amiga quase entrou em crise existencial porque não estava mais se sentindo tão confortável para passar horas seguidas sobre saltos altíssimos. No íntimo, percebi, ela temia parecer menos elegante sobre sapatilhas, ainda que Prada ou Chanel.
Dramas à parte, constatei, ao pensar sobre o tema, que para algumas mulheres o mundo pode, ao contrário, ficar bem mais acessível quando descemos do salto. Não sei se pelo interesse pelo outro_que cresce visivelmente quando você desce um pouquinho_ ou pela mera despreocupação com o equilíbrio e a imagem soberana automatizados ao longo da vida. Por um motivo ou outro, você acaba acessando mais tranquilamente o que está ao redor, as coisas que de fato lhe interessam. Tenho gostado especialmente de fazer isso: praticar a acessibilidade mais pé no chão _até porque minhas pernas já não são tudo isso para saltos enormes.
Mas o que essa conversa tem a ver com joias?, alguém vai perguntar. Tudo a ver, respondo. A iniciativa de descer do salto pode, em vários aspectos, nos dar o sentido pleno de que a moda, além de retrato fiel de épocas e comportamentos, é o recurso importantíssimo para fazermos o que quiser com nossas personalidades tão complexas, nos momentos que acharmos ser os mais adequados para tanto. Para muitas, descer do salto, portanto, equivale a estar, um dia que seja, longe daquele diamante superpoderoso ou do anelzão que nos segurança, rumo, poder ou bom senso. Não que precisemos nos livrar deles, por favor, não me entenda mal. Nem do salto, nem da atual bolsa da nossa vida, nem de nada que nos dê prazer. Muito ao contrário, aliás. Precisamos, sim, de todos eles _não importam os motivos_, mas entender plenamente o que eles significam é o mais divertido e legítimo para subirmos e descermos _ na vida em geral_ , sempre que desejarmos, especialmente em busca de uma autonomia que esteja além das nossos itens prediletos. >>> Costanza Pascolato


Amo saltos, mas acredite…
vivo melhor sem eles, e minha coluna agradece!
bjs
tainah*
Abandonei os saltos faz tempo, e não existe “gramúr” que pague a felicidade de ao final de qualquer festa ou compromisso estar sem dores escruciantes da cintura pra baixo….hehehhheh
Sem falar que sapatilhas e sapatos baixos e rasteiros, hoje, podem ter muito charme e beleza tbm!
Muito pertinente o último parágrafo do post. Me fez refletir, nesses tempos em que o “ter” é mais importante que o “ser”, não há dinheiro, nem salto, nem bolsa, nem jóia que pague o exercício pleno da autonomia, inteireza e dignidade. Por isso importante saber o que eles “são” para nós antes de tudo. Letícia
Confesso que em alguns instantes pude me ver na descrição do texto, e cheguei à conclusão que muitas vezes utilizamos o salto como uma bengala. Ou seja, ele nos remete ao poder, a ser mais alto, mais esguio, no controle da situação mesmo que ilusório e provisório.
Contudo, quando penso na sapatilha ou no sapato baixo, logo vejo a imagem de duas mulheres poderosas que, mesmo descendo do salto, mantinham o poder, mesmo sem abrir mão da sua LV Speedy ou da sua bolsa Lady Dior, não esquecia do outro. Falo de Audrey Hepburn e da Princesa Diana e, neste momento, vejo quão realmente é importante, em certos momentos, descermos do salto, para avaliar o real valor de tais itens em nossas vidas: prazer ou bengala?.
Fazer com que você conheça o que lhe fica bem na roupa e o que vai de acordo com a sua personalidade nas joias. Pois moda, acima de tudo, tem que dar prazer e não stress e dores nas costas e falsos eus; moda também é terapia de auto conhecimento. Cynthia
Ótimo post. Entendo que precisamos relativizar a importância de objetos como sapatos, bolsas e joias em nossa vida. Não que devamos nos abster de usá-los com prazer, mas creio que devemos recusar a tentação de dar-lhes uma importância maior do que lhes cabem. “O essencial é invisível aos olhos”.
Adorei, adorei Costanza!
Saber o significado de cada sentimento que temos com nossos objetos nos tornam mais seguras para fazer o que quiser com eles, ou seja, a mulher que usa salto e se sente poderosa e a mulher que usa sapatilha e se sente super prática e realizadora. Viva a mulher pensadora!
Ótimo
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